What if I fall?


conferenciaRedução do insucesso escolar e do abandono escolar precoce
(Da conferência “A organização da escola e promoção do sucesso escolar”, por Isabel Fialho – Seminário “Promovendo Aprendizagens” de 22/02/2017, Universidade Católica do Porto)

What if I fall?
Oh, but my darling, What if You Fly?!

 “E seu eu Caio?
Oh, mas meu/minha querido/a, e se Voares?!

(Erin Hanson)

“Era uma vez uma escolar com muitas paredes brancas que apetecia riscar”. Esta foi uma frase com que iniciei uma provocação para dar início a um projeto curricular transversal no âmbito das Equipas Educativas do 8º ano. Pretende-se reciclar conhecimento difícil de adquirir, transformar informação em aprendizagem, recorrendo a técnicas/estratégias de trabalho colaborativo e produzir design – lettering – com efeitos estético-didáticos. É um passo num processo de mudança de paradigma escolar. Devo dizer que não é fácil mudar, mas, como ainda agora ouvi alguém no corredor dizer, “é assim que se começa”. Não sei a que se referia, mas a frase é, sobretudo, iniciática.


A conferência de Isabel Fialho apresenta um claríssimo paradigma de mudança, muito esclarecido e outro tanto de esclarecedor. Começando pela diferença que a escola pode fazer, apresenta três vertentes: a Liderança, a Organização “aprendente” e a Parceria escola-família.
Relativamente à primeira, a liderança escolar deverá ser partilhada, delegando autonomia nos diferentes agentes educativos, comprometendo-os nas suas decisões, por forma a estabelecer uma partilha de responsabilidade nos resultados alcançados. Sobretudo, a liderança deve estabelecer e manter uma comunicação consistente e eficaz com base numa informação atualizada.

Em segundo lugar, uma organização “aprendente” é uma organização que assenta no desenvolvimento de uma cultura colaborativa, que mantém uma atitude de reflexão sistemática sobre o ensino e a aprendizagem, identificando e partilhando as boas práticas. Isto requer uma maior abertura aos nossos pares, nomeadamente através da desmistificação da observação de aulas como meio de avaliação dos docentes, mas antes como meio de partilhar sucessos e dificuldades. Para além de sermos mestres uns dos outros, é necessário que o sistema de formação contínua responda às necessidades identificadas.

A terceira vertente é também fundamental no processo de mudança de paradigma educacional que a nossa escola almeja. Muitas vezes ouvimos a queixa de que os pais não acompanham o percurso escolar dos seus filhos. Talvez haja alguma verdade, mas não na maioria dos casos. Os pais interessam-se pelos filhos, naturalmente. O que acontece é que muitos não sabem como os ajudar. Por isso, a escola deve fomentar esta parceria com os Pais, encorajando-os a estimular o desenvolvimento intelectual dos filhos. Como? A escola pode sugerir como. Outro aspeto que necessita de maior desenvolvimento é a informação que a escola, através das suas estruturas, fornece aos pais. Os pais precisam de Ouvir mais histórias de sucesso dos filhos. Não podemos convocá-los apenas quando o seu filho se porta mal. Os “recados” positivos na caderneta, ou em qualquer outro suporte ou forma de comunicação, têm um efeito muito mais eficaz do que um “ralhete”. Por fim, é também dever da escola dar sugestões concretas sobre coisas que os pais podem fazer para ajudar os seus filhos.

O segundo aspeto importante a salientar desta conferência é o papel do professor – o professor faz a diferença. O ambiente de aprendizagem deverá ser agradável, de confiança e de abertura. Por isso estamos a pensar mudanças na sala de aula, ouvindo as propostas dos alunos. Também deve ser um ambiente organizado e seguro. Em relação à ação do professor, este deve fazer do erro cada vez mais uma estratégia de aprendizagem. Não um mecanismo de exclusão. É nesse sentido que estamos a trabalhar, criando um clima de colaboração e entreajuda e apostando na diferenciação pedagógica.

Por fim, a grande questão: fazer a mudança, passar das intenções e de “fazer isto aqui, aquilo ali”, mas uma mudança integrada e integradora. Como?
O diagnóstico está a ser concluído e é uma parte muito importante, pois permite-nos identificar as dificuldades e os entraves. Depois, é só colocar o Foco nas estratégias de ensino/aprendizagem, fazendo, cada um de nós, parte do problema, Querer mudar e, sobretudo, Acreditar na Mudança. Eu penso que estamos a conseguir dar este passo, por isso estamos a falar menos e a procurar escutar mais os alunos. Eles sabem claramente o que é preciso mudar para melhorar tudo aquilo de que nos queixamos: que há indisciplina e os alunos não aprendem. Eles sabem isso também. É nisso que estamos a trabalhar e a romper com os medos e receios.

What if we Fly?!

Provavelmente voaremos, quem sabe?!

Jorge Vitorino dos Santos

(Professor de Português da Escola B 2,3/S Josefa de Óbidos, Escolas de Óbidos)