Professores e técnicos das Escolas de Óbidos deslocam-se a Torres Vedras para conhecer o modelo HIGHSCOPE


higscopeO Núcleo de Torres Vedras da Rede de Educação Viva promoveu mais um encontro sobre educação no passado sábado, dia 4 de março. O tema foi dar a conhecer a Associação HighScope Portugal, através dos responsáveis pela implementação deste modelo em Portugal e nos países lusófonos, a Escola Raiz. As professoras Margarida Vieira e Teresa Ferreira, a psicóloga Carla Abranches e o professor Jorge Vitorino foram a este encontro à procura de mais ideias, sugestões e inspiração para o trabalho que, juntamente com outros professores dos 7º e 8º anos, têm vindo a desenvolver na implementação do Projeto EQUIPAS EDUCATIVAS nas Escolas de Óbidos, nomeadamente na Escola Josefa de Óbidos. Fomos lá ver como é.


O QUE É O HIGHSCOPE?

A Associação HighScope Portugal tem como objetivo a divulgação, formação e apoio à implementação do curriculum HighScope. Para isso, dispõe de um centro de formação com o fim de apoiar o desenvolvimento dos profissionais da educação e dos pais.

Este centro de formação surge fruto do trabalho realizado ao longo de dezasseis anos pela Escola Raiz. Devido à qualidade do ensino-aprendizagem realizado, a Escola Raiz tem sido pioneira no desenvolvimento de uma prática de qualidade, seguindo, desde os 4 meses aos 12 anos, o mesmo curriculum pedagógico – o curriculum HighScope, criado em 1962, nos E.U.A.

Nas escolas em que é implementado de forma consistente o modelo HighScope, o aluno constrói o seu conhecimento agindo, refletindo e consolidando a informação a que acede. Devido à sua prática de elevada qualidade, a Escola Raiz foi certificada como um Centro HighScope.

A Fundação HighScope tem publicado vários estudos longitudinais realizados nos E.U.A. que demonstram excelentes resultados, o que a Escola Raiz tem vindo a comprovar na sua prática, dos quais se destacam: melhoria do rendimento escolar, aplicação apropriada de métodos de estudo, aumento da concentração, aumento da autoestima e autonomia. Tem ainda excelentes resultados com crianças com necessidades educativas especiais, a nível social, com uma intervenção significativa nas relações interpessoais, na cooperação e desenvolvimento.

Os resultados longitudinais mostram ainda a importância deste modelo, na vida das crianças que nele participaram pelo menos durante dois anos, a vários níveis como por exemplo: na diminuição da probabilidade de delinquência, aumento da probabilidade de realização profissional.

A diretora do centro de formação, Margarida Silveira Rodrigues, é certificada pela HighScope Educational Research Foundation, onde realiza todos os anos formação de atualização. É detentora do CAP. Tem formação específica em supervisão, realizada no mestrado de Estudos da Criança na Universidade do Minho.

FOMOS LÁ VER COMO É

As professoras Margarida Vieira e Teresa Ferreira, a psicóloga Carla Abranches e o professor Jorge Vitorino foram a este encontro à procura de mais ideias, sugestões e inspiração para o trabalho que, juntamente com outros professores dos 7º e 8º anos, têm vindo a desenvolver na implementação do Projeto EQUIPAS EDUCATIVAS nas Escolas de Óbidos, nomeadamente na Escola Josefa de Óbidos.

O modelo HighScope assenta na aprendizagem ativa. Muitas vezes os profissionais de educação estão altamente motivados, mas se não existir a capacidade de mudança, não se transpõe uma barreira que urge desobstruir. Também uma escola bem equipada tecnologicamente não significa necessariamente aprendizagem ativa.

A Roda da Aprendizagem HighScope tem o aluno no centro, obviamente, mas envolvido em estratégias e procedimentos de Aprendizagem ATIVA. Outros aspetos fundamentais desta Roda são a Organização do Espaço, a Rotina Diária e a Avaliação.

Toda esta acção educativa combina cinco ingredientes fundamentais: a escolha dos materiais que fomentam a aprendizagem, o apoio ao aluno, a manipulação e a linguagem e pensamento da criança. Este programa inicia-se no pré-escolar, mas continua pelos outros ciclos de ensino, adequando-se, naturalmente, aos diferentes estádios de aprendizagem.

O modelo HighScope facilita o processo de mudança de paradigma de ensino/aprendizagem. Há apenas que introduzir as alterações necessárias e a formação adequada aos docentes. É preciso que todos se envolvam neste processo.

Uma das actividades que desenvolvemos na sessão consistia numa pausa de brincadeira com balões para oxigenar o cérebro. Muitas vezes receamos a introdução destas práticas porque vai causar perturbação ao “bom funcionamento da sala de aula”. Ora, será que a aula funciona bem com os alunos sentados durante 90 minutos? Claro que não, e todos nós sabemos isso.

O trabalho individual é promovido e valorizado, orientado por estratégias específicas e de acordo com as necessidades e perfis dos alunos.

Na parte final da sessão, a responsável pelo HighScope Portugal abordou a forma gestão de conflitos, entendendo que um conflito é uma oportunidade de aprendizagem. Um conflito evolui de uma situação de pensamentos/sentimentos em equilíbrio para uma situação de conflito, em que os sentimentos/emoções aumentam e saem disparados em diversas formas, como um balão: pode rebentar ou o ar pode sair devagar – expressão de sentimentos de uma forma controlada, até estabilizar a situação de equilíbrio Pensamento/sentimento.

O procedimento é conduzir a criança ao reconhecimento dos seus sentimentos e a gerir emoções para regressar ao equilíbrio. O moderador deve manter-se fora do conflito, não emitindo opiniões.

É preciso treino. Se existe relação, existe conflito. O adulto não deve emitir juízos e deve formar os alunos como mediadores.

Hoje, à data em que termino este artigo (8 de março), está a decorrer a primeira assembleia conjunta de alunos, professores e direcção do Agrupamento para discutir MUDANÇA. Essencialmente MUDANÇA.

Jorge Vitorino dos Santos

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